terça-feira, 14 de agosto de 2012

Se me ouvissem, as palavras, sentiriam a escuridão se aproximar e com razão partiriam.
Se me sentissem, evitariam-me a presença.
Mas as palavras são sábias, me preenchem em minha ausência e me acompanham em eloquência.
Sou grato a elas que sempre me fizeram companhia, sendo em mim mesmo ou em poesia.
Sendo eu poeta, sou palavra em sentimento.
Sendo eu sentimento, sou dor e sofrimento.
Uma parte de mim ecoa em prantos.
Outra se perdeu no tempo.
A parte que sofre, ecoa.
A parte perdida, voa.
Sofro uma dor calada que não quer gritar.
Choro um sentimento exagerado de peso e mentira.
Corto a carne que me cobre a alma, corto a alma.
Morro em vida e me enterro em desprendimento.
Os sonhos passam, ficam os momentos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Desenho com traços mágicos um espaço trágico.
Reverencio ao passado e me perco.
Sem hora, sem pressa.
Navego naquilo que não posso dizer.

Sinto o silêncio.
Me calo.
Faço do que vivo um texto, um rabisco.
Sobrevivo de sonhos realizados em pesadelos vividos.


Escrevo por entre linhas tortas um eu que caminha em linha reta.
Sou duas cadeiras, uma vazia e outra sem ninguém.
Um dia depois do outro.
Sou temor e redenção, sou prática e abismo, sou tristeza e sou paixão.
Sou seu caderno velho e rasgado.
Sou seu último recado.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Tenho pensado em te querer.
É um querer pequeno,
é um te querer, pequena.

É um não sei se espero.
É um disse e me calo,
e assim caminho, claro.

Tenho pensado em te esquecer.
É um pensar que me esqueço.
E em esquecer, te quero.

Num querer pequeno.
De tamanho e relevo, me reservo.
Um pequeno grão comparado ao universo.

É palavra que entorta.
É abrir e fechar porta.
Um peso que não meço, o meu sentir em verso.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Minhas dúvidas, a cereja do bolo.
Uma festa de aniversário para um rei sem trono.
O silêncio que aproxima a noite, é o mesmo que me tira o sono.
Poucas palavras sem significado, falham em sua funçao ao emitir o recado.

A compreensão ainda reluta em se aceitar.
Cego só consegue falar.
Mudo não consegue pensar.
Morto pode até melhorar.